Antevendo os clubes da MLS na Liga dos Campeões

Em vésperas dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões da CONCACAF, competição cujo histórico só apresenta vencedores mexicanos, o Soccer em Português tentou perceber quais as reais hipóteses dos emblemas da MLS em 2019. Rapidamente concluiu que o quinteto da MLS parte novamente em desvantagem qualitativa face aos adversários da fronteira, e que para escrever um capítulo inédito na história, terá de se superar substancialmente, e ser bafejado pela devida sorte. Parece que o estatuto de outsider teima em não descolar dos clubes norte-americanos e canadianos em prova. No entanto, esta primeira eliminatória deverá ser um verdadeiro passeio para todos, à excepção do Sporting KC. Segue-se uma listagem detalhada dos bravos conjuntos da MLS que se preparam para lutar pelo título continental, em contraciclo com as casas de apostas, e ainda uma breve sinopse dos oponentes mexicanos, realizada pelo especialista em Liga MX, João Pedro Cordeiro.

ATLANTA UNITED

Modo de classificação: Campeões da MLS

Melhor prestação: (nunca participou)

Próximo adversário: Herediano (Costa Rica)

Apesar do estatuto de estreante na competição continental, o Atlanta United surge como o principal candidato da MLS a contrariar a hegemonia e favoritismo mexicanos na Liga dos Campeões. Frank de Boer cumprirá o seu primeiro jogo oficial no comando técnico dos campeões da MLS, numa deslocação desafiante à Costa Rica. Para já, terá de lidar com uma notícia infeliz que a pré-época lhe trouxe. O internacional norte-americano Darlington Nagbe está de saída, por vontade própria, cenário que constitui uma perda importante no meio-campo, dificílima de colmatar em meados de Fevereiro. Num registo mais esperançoso, convém lembrar a contratação bombástica de ‘Pity’ Martínez, recém-eleito melhor jogador da América do Sul. O virtuoso argentino deverá assumir um papel determinante na nova temporada, a almejar o segundo troféu continental em poucos meses, depois da conquista da Copa Libertadores pelo River Plate.

SPORTING KANSAS CITY

Modo de classificação: Vencedor da Taça dos EUA (2017)

Melhor prestação: Quartos-de-final (2013/14)

Próximo adversário: Toluca (México)

Ao contrário dos restantes emblemas da MLS, o Sporting KC irá enfrentar um dos conjuntos mexicanos em prova logo nos oitavos-de-final. Ainda que o Toluca seja muito provavelmente o mais frágil do quarteto da Liga MX, a equipa onde milita Gerso Fernandes terá de se comportar à altura, caso queira ultrapassar esta eliminatória da Liga dos Campeões. O técnico Peter Vermes apostou todas as fichas em Krisztián Németh para solucionar o problema do ponta-de-lança, e o futebolista húngaro espera certamente corresponder com remates certeiros. Para ajudá-lo nessa tarefa, contará com o apoio providencial de tecnicistas como Felipe Gutiérrez ou Johnny Russell.

HOUSTON DYNAMO

Modo de classificação: Vencedor da Taça dos EUA (2018)

Melhor prestação: Quartos-de-final (2012/13)

Próximo adversário: Guastatoya (Guatemala)

O elo mais fraco dos representantes da MLS apresenta-se na Liga dos Campeões de forma descomplexada, sem nada a perder. No entanto, eliminar os adversários guatemaltecos do Guastatoya nesta fase inicial da prova, não deixa de ser uma clara obrigação a cumprir. São poucas as movimentações significativas a assinalar no defeso da turma orientada pelo colombiano Wilmer Cabrera. Entre as mais notáveis, referência para a entrada do central esloveno Aljaz Struna, algures perdido em Itália, e de Marlon Hairston, extremo ex-Colorado Rapids. Para sonhar com uma excelente caminhada na competição, o Houston Dynamo manteve o seu trio ofensivo de excelência, habituado a destroçar defensores adversários nos relvados da MLS. Alberth Elis, Mauro Manotas e Romell Quioto, uma sociedade letal a não perder de vista.

NEW YORK RED BULLS

Modo de classificação: Equipa da MLS com mais pontos somados em 2017 e 2018

Melhor prestação: Meias-finais (2018)

Próximo adversário: Atlético Pantoja (República Dominicana)

A única equipa das Caraíbas na Liga dos Campeões calhou em sorte ao Red Bulls, e tudo indica que a eliminatória poderá ser disputada em ritmo de amigável. O treinador Chris Armas precisa de testar alternativas para fazer esquecer a saída de Tyler Adams, um dos jovens mais promissores do futebol norte-americano, e estes compromissos serão boas oportunidades de ensaiar isso mesmo. Felizmente, o mercado de transferências não levou o internacional paraguaio Romero Gamarra, nem o alemão Marc Rzatkowski, deixando o plantel com condições de fazer uma gracinha na competição.

TORONTO FC

Modo de classificação: Campeão canadiano

Melhor prestação: Finalista (2018)

Próximo adversário: Independiente (Panamá)

Directamente do Canadá chega-nos o Toronto FC, destroçado por ter ficado tão perto do título continental inédito na época transacta, saindo derrotado nas grandes penalidades da decisiva final. Terão Greg Vanney e os seus homens capacidade de aparecer novamente em grande nível em 2019? Muito provavelmente não. O franchising canadiano despediu-se recentemente da maior figura da sua história, Sebastian Giovinco, e a lista de entradas no mercado de transferências ficou aquém do exigível. Se em 2018 o objectivo assumido seria conquistar a Liga dos Campeões, este ano as ambições vão ser bem mais humildes, e chegar aos “quartos” já se configuraria como um cenário bastante aceitável.

O QUARTETO MEXICANO

(por João Pedro Cordeiro)

«Com as chegadas de Maxi Meza, Miguel Layún e, porque não, de Adam Bareiro depois de um explosivo 2018 na sua terra Natal, o Monterrey ficou mais perto do que nunca de um regresso aos títulos, não só nacionais, mas também internacionais, que há demasiados anos escapam à equipa regiomontana. Os Rayados têm, para muitos, o melhor plantel do futebol azteca e, por consequência, o melhor do continente, especialmente depois de Diego Lainez ter deixado o país rumo à Europa. Com um plantel quase intocável, os resultados estão à vista. O Monterrey vai dominando a Liga MX neste início de Clausura tendo já vencido América e esmagado o Pachuca, já depois de ter chegado às meias finais durante o Apertura. Para muitos, o futebol mexicano é hoje dominado pelas equipas da região e a tabela classificativa do Clausura parece dar-lhes razão.

A seguir de perto está o Tigres que respondeu à bomba Layún atirada pelo rival com a chegada de outro internacional mexicano, Carlos Salcedo, um substituto de peso para uma perda de peso depois da reforma da referência e capitão de equipa Juninho. O Tigres não encantou durante o Apertura, mas este é o mesmo Tigres que continua a ter um plantel capaz de competir em qualquer uma das maiores ligas Mundiais, como aliás a entrada na segunda metade da temporada está a demonstrar já depois de Gignac se ter sagrado o melhor marcador do Apertura, e será sem surpresa que os dois gigantes de Monterrey estarão entre os principais favoritos à conquista das competições que integram.

A correr por fora surgem, por isso, Toluca e Santos Laguna. Se o Toluca, apesar da perda de Cristián Borja – apesar deste ter perdido relevância na equipa de Cristante nos últimos meses – se reforçou com nomes de peso (Maidana, Gigliotti, Mancuello ou Felipe Pardo) surge na segunda metade da temporada com um elenco de luxo, a verdade é que tarda em engrenar e, em muitos casos, a veterania começa a levantar suspeitas. A inconsistência tem sido palavra chave no vocabulário recente dos Diablos Rojos que, em dia sim, serão sempre capazes de vencer qualquer adversário. O problema? Têm-nos tido em cada vez menos ocasiões.

Já o Santos Laguna é um caso enigmático. O clube de Torreón tem sido abalado por uma grande instabilidade nos últimos meses, onde nem uma grande confusão com o antigo treinador Robert Siboldi faltou e que levou mesmo ao afastamento do uruguaio já com a temporada em andamento. Pela mão de Chava Reyes Jr, filho da lenda mexicana do Chivas, Chava Reyes, o Santos Laguna surpreendeu ao chegar aos quartos de final da Liguilla durante o Apertura, tendo voltado a deixar sair peças chave da equipa, como Jonathan Rodríguez e Osvaldo Martínez desde então. A entrada no Clausura não foi particularmente positiva e é difícil antever as reais possibilidades da equipa apesar das positivas incorporações de Marlos Moreno e Diego Valdés no plantel, que apesar de estar repleto de qualidade, volta a sofrer demasiadas mudanças».

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