Breve análise ao triunfo inesperado da selecção norte-americana

«O que está do outro lado é substancialmente superior, e só uma exibição perfeita por parte dos Estados Unidos conseguirá diluir a diferença entre os dois elencos, e colocar o resultado em dúvida. Será o jogo certo para Weah e Pomykal se superarem, e qualquer eventual surpresa estará sempre dependente do seu desempenho, e da maneira como conseguirão inspirar os restantes companheiros de equipa». Estas foram palavras do Soccer em Português ao antecipar o difícil obstáculo que representaria a selecção francesa. A exibição de ontem acabou por não se revelar perfeita, mas houve determinação, inteligência e bravura de sobra. Timothy Weah e Paxton Pomykal deram o exemplo em campo, e acabaram por inspirar grande parte dos colegas norte-americanos a assinar prestações de grande nível. Tudo culminou num triunfo histórico por 3-2 sobre uma das principais favoritas à conquista do título, e mais do que isso, a selecção dos Estados Unidos torna-se a primeira a garantir o apuramento para os quartos-de-final do Campeonato do Mundo Sub-20 por três vezes consecutivas.

ESTADOS UNIDOS 3-2 França (Sebastian Soto 25’ e 74’ e Justin Rennicks 83’ | Gouiri 41’ e Nabil Alioui 55’)

Os resumos oficiais da partida não explicam que os norte-americanos partiam para os oitavos-de-final desfalcados com as ausências dos castigados Chris Durkin e Alex Mendez. Separadamente, o médio-defensivo Durkin é um dos jogadores mais experientes e talentosos da convocatória, pese embora as suas exibições desapontantes na Fase de Grupos, e Alex Mendez surge como um futebolista destemido, capaz de amedrontar os franceses com a sua técnica, e de empurrar a equipa para frente. Juntos, são dois terços do meio-campo norte-americano, que Tab Ramos procurou substituír devidamente com a colocação de Brandon Servania e Richie Ledezma. Ou seja, os Estados Unidos viram-se obrigados a escalar esta montanha figurada sem o meio-campo do costume. Mais um agoiro que poderia ajudar a explicar um eventual desaire que seria encarado como natural. Afinal, o que correu tão bem?

A FRIEZA DE SOTO

O ponta-de-lança do Hannover 96 demonstrou novamente possuir uma capacidade finalizadora invejável, e fez uso dela nas poucas oportunidades  de que dispôs. Excelente a explorar o espaço nas costas da defensiva gaulesa. Repetiu o bis gizado no encontro frente à Nigéria, mas sobretudo, ganhou outra visibilidade, que lhe permitirá disputar um lugar no conjunto alemão já na próxima temporada, assim como na principal equipa dos Estados Unidos. Dificilmente poderá almejar a Bota de Outo no torneio, dado que o norueguês Erling Haland tratou de arrumar essa conversa bem cedo, com 9 golos apontados às Honduras, mas uma Bota de Prata seria já uma óptima recompensa para Sebastian Soto.

A ASCENSÃO DO BATALHADOR WEAH

O filho do antigo Bola de Ouro tem vindo a subir exponencialmente de rendimento na competição, tendo registado o seu ponto mais alto diante da França. Olhando para a qualidade técnica que Timothy Weah chegou a exibir nas suas aparições no PSG e mais tarde no Celtic, a expectativa (e desejo) seria que o clímax de Weah fosse uma explosão de desequilíbrios e virtuosismos ao longo dos 90 minutos. Nada mais errado. Assistiu Soto no segundo golo, mas o seu contributo foi muito além disso. Uma das melhores unidades em campo, e a melhor versão de si próprio no torneio até agora, pela forma como trabalhou arduamente em todos os momentos do jogo. Defendeu bem, pressionou de forma inteligente, e iniciou várias contra-ofensivas velozes que afastaram muitas vezes o adversário da sua área. A manter este ritmo de crescimento no torneio, veremos o que se seguirá nos ‘quartos’.

SUBSTITUIÇÕES COM IMPACTO

A perder por 2-1 perto da hora de jogo, o técnico Tab Ramos não se acanhou, e arriscou de imediato uma dupla substituição para tentar mudar o rumo dos acontecimentos. Sem alterar demasiado o desenho táctico, as entradas de Ulysses Llanez, e sobretudo de Justin Rennicks, trouxeram nova dinâmica ao encontro. Ambos ofereceram a energia ofensiva necessária para colocar os franceses receosos, e essa atitude acabaria recompensada com uma remontada própria no curto espaço de 10 minutos.

Apesar do resultado histórico, nem tudo foi bom. Chris Gloster, por exemplo, teve uma tarde para esquecer frente a Moussa Diaby, e a sua lateral esquerda foi palco de praticamente todas as principais oportunidades de golo dos franceses; Konrad de la Fuente mostrou novamente não merecer a titularidade na ala direita, pela sua constante inocuidade; o guarda-redes Brady Scott  deveria ter feito muito mais nos golos sofridos, especialmente no segundo.

Erros e méritos apontados, seguem-se agora os quartos-de-final contra o Equador, campeão sul-americano Sub-20, a disputar no próximo Sábado.

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