Chris Wondolowski: o jogador para além do falhanço

“A tua movimentação é incrível. Para mim, é um pesadelo”, confidencia o internacional inglês John Terry a Chris Wondolowski, a caminho dos balneários do PPL Park, casa dos Philadelphia Union. Estávamos no intervalo do MLS All-Star Game 2012, e o avançado dos San Jose Earthquakes já tinha facturado diante do Chelsea FC. As “estrelas” viriam mesmo a vencer o encontro, e depois do apito final, ‘Wondo’ dirigiu-se aos fãs, envergando a camisola do adversário Romelu Lukaku.

Dois anos mais tarde, Wondolowski e Lukaku voltaram a defrontar-se, desta vez ao mais alto nível. Curiosamente, ambos acabariam por protagonizar ações com um papel determinante no desenlace da partida. O belga arrastou a defesa contrária através da sua velocidade, abrindo o espaço para o golo inaugural, e ainda duplicou a vantagem uma dúzia de minutos mais tarde. Já o norte-americano perdeu a oportunidade de se transformar no herói da partida, ao falhar clamorosamente uma oportunidade sem grande grau de dificuldade aparente, nos minutos finais do tempo regulamentar.

Aos 31 anos, Wondolowski teve neste Campeonato do Mundo, talvez a sua única oportunidade de se mostrar a uma audiência que vai para além da CONCACAF, e a imagem que ficou não foi a melhor. Por considerar que o valor de ‘Wondo’ não se resume a um falhanço nos oitavos-de-final da prova mais importante de selecções, sinto-me obrigado a enunciar os seus inúmeros méritos desportivos.

Chris Wondolowski tinha 22 anos quando entrou na MLS graças ao Draft de 2005. Começou nos San Jose Earthquakes e depois mudou-se com o clube para o estado do Texas quando este se transformou em Houston Dynamo. Durante muito tempo, os golos só apareciam na equipa das reservas. Dwayne De Rosario, Brian Ching e Ryan Johnson foram sempre primeiras escolhas para os técnicos, e só em 2010, já de volta a San Jose, lhe foi dada uma verdadeira oportunidade.

O último classificado em 2010 apenas teve de esperar uma época para atingir a Final da Conferência Oeste, apoiado nos 18 golos de Wondolowski. Desde então, o número 8 dos Earthquakes tem sido consecutivamente o melhor marcador da equipa, totalizando 80 remates certeiros em quatro temporadas e meia (boa parte deles obtidos nos minutos finais das partidas). No ano de 2012, os San Jose Earthquakes sagraram-se campeões da fase regular da MLS, e ‘Wondo’ igualou o recorde de golos marcados numa época do campeonato norte-americano (27).

Relativamente à selecção dos Estados Unidos, só começou a aparecer em 2011, após a sua afirmação nas provas domésticas. Quase sempre tapado por Jozy Altidore, mas decisivo quando necessário. Por exemplo, foi o melhor marcador da CONCACAF Gold Cup 2013 conquistada pelo seu país, e a partir daí nunca fugiu do Top 3 de pontas-de-lança seleccionáveis. Para integrar a convocatória final para o Brasil, deixou para trás avançados como Eddie Johnson ou Terrence Boyd. Mais importante do que isso, Klinsmann demonstrou no decurso da prova que Wondolowski era a principal alternativa a Altidore, preterindo Aron Johansson (o jogador do AZ Alkmaar não registou nenhum minuto na prova), apesar da sua experiência europeia.

Conhecedor das suas aptidões, Klinsmann nem quis acreditar quando viu o seu jogador desperdiçar um lance capital do encontro. Chris Wondolowski é um goleador por definição, e mostra-o inclusive nas épocas mais sofríveis do seu clube. Regressa agora à MLS, com o fardo injusto que um erro pode acarretar, sem que se vislumbre outra oportunidade semelhante para dar a volta por cima.

Fotografia: cbssports.com

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