Explicando a outra face de Fredy Montero

Fredy Montero

Tendo o Sporting Clube de Portugal garantido a qualificação para a Fase de Grupos da Liga dos Campeões no último fim-de-semana, é possível fazer um balanço daquilo que foi a primeira época de Fredy Montero em Portugal. Se dividirmos a temporada ao meio, verificamos duas realidades distintas que encontram justificação em diversos fatores. A outra face do colombiano poderá levantar preocupações relativamente à sua continuidade em Alvalade?

A titularidade de Montero era algo que sempre estave nos planos do Sporting. Assim aconteceu na jornada inaugural, diante do Arouca, onde o avançado assinou um hat-trick. Depois de confirmado o seu lugar no onze inicial da equipa, seguiram-se os golos a um ritmo assinalável. Na 12ª ronda do campeonato, um bis em Barcelos fê-lo chegar aos 13 tentos (16 em todas as competições), número que curiosamente ainda não conseguiu superar, e que levou à perda da titularidade para Islam Slimani. A seca dura há 987 minutos.

A que se deve esta disparidade estatística? Primeiro, ao desconhecimento que existe em Portugal relativamente ao futebol nos Estados Unidos. Ninguém sabia ao certo quem era Montero, e que tipo de atributos poderia trazer ao campeonato nacional. Segundo, à confiança tática que as equipas evidenciavam nos encontros iniciais frente ao Sporting. As valências leoninas perfilavam-se como uma incógnita, e o sétimo lugar da temporada anterior pesou certamente nos técnicos e conjuntos adversários.

As movimentações do avançado colombiano começaram a ser analisadas ao pormenor, e o Sporting aproveitou para descobrir novas formas de fazer golos para além de Montero. Porém, a anulação do goleador por parte dos oponentes surtiu efeito pleno, muito pelo papel solitário que desempenhava no desenho tático de Leonardo Jardim. Este aspeto leva-nos à terceira causa que justifica a existência de dois cenários ímpares na temporada de Montero: o 4x3x3.

Nos quatro anos em que ‘el avioncito’ disputou a Major League Soccer, os Seattle Sounders FC assumiram o seu 4x4x2 caraterístico. Muitos foram os avançados que emparelharam com o atual jogador do Sporting, mas o instinto goleador prevaleceu e não sofreu quebras significativas. Ainda assim, é possível observar uma tendência descendente nas eliminatórias decisivas: Montero não faturou em nenhum dos dez jogos dos Play-offs em que esteve envolvido, fator coincidente com o insucesso da sua equipa nas fases determinantes da competição.

16 golos e 7 assistências em 31 jogos não é um registo dececionante para a época de estreia de Fredy Montero, Trata-se aliás, de um feliz precedente no que refere às relações negociais entre clubes portugueses e norte-americanos. Contudo, ao avaliar a tendência recente verificada em Alvalade, e correlacionando-a com a experiência vivida nos Estados Unidos, apraz-me concluir que a sua continuidade no Sporting só pode ser considerada caso se equacione uma modificação tática que privilegie a existência de dois avançados. Senão, a tendência pode vir a tornar-se regra.

Fotografia: soccerbyives.net

One comment on “Explicando a outra face de Fredy Montero
  1. Esqueceste o mais importante, o montero veio para o sporting quando ainda competia nos estados unidos e nao teve ferias, esta com quase duas epocas futebolisticas seguidas nas pernas, sem férias. Isso sim levou à quebra do montero e a ida para o banco, esta completamente esgotado…

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