O estranho caso de Andrew Gutman

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No curto espaço de dois meses, Andrew Gutman conseguiu ser eleito melhor futebolista universitário do ano, recusou uma proposta dos Chicago Fire, seu clube de formação, e ainda arranjou tempo de acicatar uma disputa entre os rivais escoceses Rangers e Celtic. Tudo isto para  terminar no segundo escalão norte-americano até ao final do ano. Afinal, o que se passou com Gutman, visto como uma das principais promessas do futebol dos Estados Unidos?

Andrew Gutman nasceu há 22 anos atrás, na cidade de Hinsdale, Estado do Illinois. Fez a sua formação nos Chicago Fire, até ingressar na faculdade, mais exactamente na Indiana University Bloomington. Ao serviço dos Indiana Hoosiers, sagrou-se vice-campeão nacional em 2017, e semifinalista vencido em 2018, onde se distinguiu sobretudo pelo seu invulgar registo goleador. Enquanto lateral-esquerdo, Gutman apontou um total de 20 golos (e 17 assistências) em 90 partidas de futebol universitário. Recebeu várias propostas de divisões secundárias durante esse período, tendo aceitado apenas numa ocasião o Chicago FC United (4ª divisão), privilegiando sempre o seu percurso académico.

Quem o conhece, descreve-o como um lateral físico, agressivo no desarme. Sólido posicionalmente, mas com uma apetência natural para avançar no terreno. Carrega a equipa ofensivamente, quer seja a transportar a bola, fazendo overlaps na linha de fundo, ou gizando passes açucarados que isolam os seus companheiros. Sente-se confortável com a bola nos pés, e raramente é apanhado em contrapé, apesar das suas incursões ameaçadoras.

«Eu digo-lhe que ele não precisa de golos e de assistências em todos os jogos», confessava o treinador dos Hoosiers Todd Yeagley ao jornal desportivo da universidade. «Por vezes, ele não me ouve. Sempre lhe digo que primeiramente ele é um defesa. Ele sabe disso … Tornou-se um excelente defesa … O que ele nos traz ofensivamente é uma arma».

Findado o seu percurso académico, assinalado pelo troféu de futebolista universitário do ano, Andrew Gutman decide rejeitar uma proposta dos Chicago Fire, clube que o formou, para arriscar uma experiência fora dos Estados Unidos. Havia recebido um convite de Steven Gerrard, técnico dos Rangers, que o queria observar de perto. Pouco depois de ter aterrado na Escócia, Gutman foi aliciado pelos rivais, e acabaria mesmo por rumar ao Celtic, onde treinou algumas semanas em Janeiro. Os heptacampeões escoceses oficializaram um contrato de três anos e meio para Gutman, mas não tinham espaço no plantel para o acolher no imediato, e então enviaram-no de volta para os Estados Unidos, por empréstimo de uma temporada.

Os regulamentos da Major League Soccer ditam que os detentores dos direitos de formação de um jogador podem naturalmente cedê-los. Só que caso isso não se verifique, o jogador fica impedido de assinar por qualquer outro emblema da MLS. Os Chicago Fire recusaram essa cedência, o que levou Gutman a ser emprestado inicialmente ao Nashville SC, do segundo escalão. Contudo, como este franchising prepara-se para integrar a MLS já no próximo ano, acabou por desistir do acordo, recusando o envolvimento em potenciais guerras burocráticas. Gutman permaneceu na Escócia mais uns dias, até ser anunciado novo empréstimo, desta feita ao Charlotte Independence, que também milita uma divisão abaixo da MLS.

Andrew Gutman sonhou alto, e quase perdeu tudo. Agora, avaliando todos os elogios e reconhecimentos de que tem sido alvo, mesmo sem ter qualquer minuto oficial por uma equipa profissional, Gutman terá a obrigação de protagonizar uma temporada de excelente nível, que corresponda à sua ligação contratual com o Celtic.

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