O que esperar dos jovens norte-americanos?

A bola começa a rolar em breve no Campeonato do Mundo de Sub-20, e está quase a chegar a vez dos jovens norte-americanos mostrarem o seu valor. O Soccer em Português decidiu aproveitar a ocasião para fazer uma breve análise à turma de convocados, e avaliar as hipóteses da equipa no torneio que se realiza na Polónia. Poderá a selecção dos Estados Unidos ser protagonista de uma caminhada positiva?

Antes mesmo de responder a essa questão, exige-se compreender o que seria considerado «positivo» para os norte-americanos, tendo por base o seu histórico na competição. Em 21 processos de qualificação, os EUA falhou a presença na fase final da prova por seis vezes (1977, 1979, 1985, 1991, 1995 e 2011), e entre a quinzena de participações, a mais bem-sucedida aconteceu em 1989, com um honroso quarto lugar. Isto numa altura em que o país ainda não disputava uma liga de futebol profissional de dimensão nacional como hoje, o que vem reforçar o valor da posição obtida. Kasey Keller e Chris Henderson viriam a tornar-se as principais revelações desse conjunto vitorioso.

Em cinco outras ocasiões ficaram-se pelos quartos-de-final (1993, 2003, 2007, 2015, 2017), sendo que as duas últimas deram-se com o actual seleccionador Tab Ramos, no comando desde 2011. O ex-internacional tem vindo a desenvolver um trabalho meritório, ao conquistar dois Campeonatos da CONCACAF de Sub-20 (2017 e 2018), e ao colocar o país nos melhores oito do mundo, de forma repetida, traçando uma nova exigência para ele próprio e para os que se seguirão no cargo. Significa isto que tudo o que não seja ultrapassar a fase de grupos, consistirá num desfecho desapontante. No entanto, estará a equipa que dominou a CONCACAF, apta a bater-se com as melhores do mundo? Atentemos nos argumentos que Tab Ramos tem à sua disposição.

Na frente de ataque mora a principal referência do plantel, Timothy Weah. O filho do Bola de Ouro liberiano George Weah preteriu outras possibilidades (Libéria, França, Jamaica) em favor da selecção norte-americana, e já acumula oito internacionalizações e um golo pela equipa principal. Completamente tapado no Paris Saint-Germain, aceitou um empréstimo ao Celtic por seis meses, onde teve a oportunidade de pisar o relvado, marcar golos, e participar nos festejos do octacampeonato escocês. Weah ocupa a lista de futebolistas da competição a acompanhar de perto, juntamente com o mexicano Diego Lainez, o francês Moussa Sylla ou o argentino Ezequiel Barco.

Apesar da sua posição de destaque na equipa, nem só de Weah vive a selecção norte-americana. No sector mais recuado, Mark McKenzie comanda as operações, enquanto central seguro que sabe distribuir jogo. Candidato a Rookie do Ano na época transacta da Major League Soccer ao serviço do Philadelphia Union, McKenzie será determinante para o sucesso defensivo da equipa. Outras presenças regulares em jogos da MLS incluem o extremo do FC Dallas Paxton Pomykal, e o médio defensivo Chris Durkin, do DC United. Ambos perfilam-se como os segredos mais bem guardados do futebol norte-americano. Preparem-se para a revelação.

Desde Freddy Adu que a selecção dos Estados Unidos não tinha um jogador que despertasse tanta curiosidade como Weah. O avançado já deu mostras da sua qualidade pontualmente em palcos europeus, mas esta é a ocasião certa para comprovar todo o potencial. A comparência de Weah eleva as possibilidades de sucesso norte-americanas na prova, e embora os restantes colegas aparentem não estar a um nível qualitativo aproximado, reúnem talento suficiente para gizarem uma surpresa. Os acima referidos McKenzie, Pomykal ou Durkin, serão peças fora do radar, mas a postos para se mostrarem ao universo futebolístico. Tudo somado, atingir os quartos-de-final soa a objectivo bastante possível para os Estados Unidos. O desafio inaugural será já esta sexta-feira, frente à Ucrânia, pelas 19h30.

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