Os candidatos ao título da Major League Soccer

A principal competição de clubes norte-americana prepara-se para assinalar o seu primeiro quarteirão de existência com o início da mais uma edição da prova, agendado para este fim-de-semana. 2020 traz como principal novidade a inclusão de dois emblemas estreantes, Nashville SC e Inter Miami, confirmando assim o novo alargamento de uma competição que reúne agora um total de 26 participantes, alinhados em duas Conferências. No meio de tantos conjuntos ambiciosos, quem parte na frente como favorito a conquistar o tão desejado troféu? O Soccer em Português tentou encontrar uma resposta consciente a esta pergunta, e sinalizou meia-dúzia de clubes em melhores condições para sonhar, a começar pelo campeão em título.

Olhando para o formato competitivo da Major League Soccer, aferimos de imediato que chegar aos Playoffs é condição fundamental para almejar o título, observação mais do que evidente, cumprida à letra pelo Seattle Sounders. Em onze épocas de história, o actual campeão em título nunca falhou esta fase crucial da prova, independentemente da posição ocupada na tabela classificativa, colocando-se assim de forma ininterrupta nas eliminatórias decisivas, aumentando a probabilidade de sucesso. Nas últimas quatro temporadas, assegurou a presença em três finais e venceu duas delas, registo que vem edificar um certo estatuto dominante no futebol norte-americano, e que oferece ao Seattle Sounders o favoritismo em 2020. Face à ultima temporada, o principal golpe deu-se com a perda dos dois centrais titulares. Para responder à situação de emergência veio Yeimar Gómez Andrade (Unión Santa Fe), colombiano capaz de se assumir como um dos principais defesas da competição, mas a definição de um parceiro de eixo adequado poderá revelar-se uma verdadeira dor de cabeça para o técnico Brian Schmetzer. Nenhuma das actuais soluções parece servir condignamente, e a eliminação surpreendente da Liga dos Campeões às mãos dos campeões hondurenhos deu sinais disso mesmo. Identificado que está o problema, é preciso solucioná-lo a tempo de garantir os habituais Playoffs. Enquanto isso não acontece, os dotes talentosos de Nicolás Lodeiro, Raúl Ruidíaz, ou até mesmo do recém-chegado João Paulo (Botafogo), médio brasileiro que tem protagonizado um arranque promissor, encarregar-se-ão de disfarçar eventuais fraquezas no último reduto.

Sem abandonar a Conferência Oeste, debrucemo-nos agora sobre a entusiasmante equipa que é o Los Angeles FC, orientada pelo experiente Bob Bradley. Acaba de gizar uma reviravolta épica na Liga dos Campeões frente aos mexicanos do Club León, fruto de um triunfo contundente de 3-0 na segunda mão dos oitavos-de-final, pelo que não existe nenhuma formação mais motivada e confiante a entrar na MLS. O capitão Carlos Vela deverá continuar a garantir números de golos e assistências impressionantes, depois de 48 remates certeiros e 28 passes para golo em apenas dois anos. Ancorado na frente de ataque pelos irrequietos jovens uruguaios Diego Rossi e Brian Rodríguez, o experiente mexicano não terá dificuldade em garantir agitação ofensiva permanente. A principal incerteza reside no eixo defensivo, à imagem dos campeões em título. A saída de Walker Zimmerman deixará marcas, visto que não existe nenhum central da mesma categoria disponível no plantel, para além do jovem colombiano Eddie Segura. A melhor defesa é o ataque, portanto.

Agora na Conferência Este, o Atlanta United também figura na lista de favoritos ao título, embora a equipa de Frank de Boer esteja recheada de incógnitas. Certamente que o treinador holandês esperaria um segundo ano mais tranquilo, onde pudesse solidificar as suas ideias de jogo, e contar com um plantel trabalhado e mais próximo do estilo pretendido. No entanto, viu perder no mercado de transferências vários jogadores de importância inquestionável, e recebeu um pacote de reforços cuja qualidade não se assemelha à dos futebolistas transferidos. De qualquer das formas, não há tempo para lamúrias, e de Boer vê-se obrigado a cozinhar uma fórmula vencedora com as peças que tem à sua disposição em tempo recorde. A eliminatória tranquila da Liga dos Campeões diante dos hondurenhos do Motagua ainda não chegou para entender o real valor colectivo desta equipa, mas foi suficiente para perceber que a dupla Martínez (Josef e Pity) está em excelente forma. Esperemos para ver como se comportará a turma que os rodeia, e se Ezequiel Barco protagonizará finalmente uma temporada afirmativa.

Seguimos caminho até aos Los Angeles Galaxy, clube que mais vezes conquistou a Major League Soccer (cinco), sendo que a último triunfo data de 2014. Desde então, muitas figuras ilustres do futebol mundial continuaram a passar pela Califórnia, invariavelmente cercadas por um colectivo insuficiente. Em 2020, os Galaxy recuperam algum do favoritismo, sobretudo por terem conseguido adicionar peças defensivas importantes, como Emiliano Insúa, por exemplo. As principais armas do plantel moram na frente de ataque, previsivelmente composta por Cristian Pavón, Aleksander Katai, e claro, Javier Hernández. Contudo, é o reforço defensivo do plantel que coloca o emblema californiano em condições de aguentar as dificuldades nos momentos decisivos. Poder de fogo ofensivo nunca faltou nestes últimos anos aos Galaxy, condenado ao insucesso pelo seu sector mais recuado. O técnico Guillermo Barros Schelotto, que já foi campeão da MLS enquanto jogador, tem perfeita noção disso.

De todos os candidatos aqui apresentados, o New York City FC será certamente aquele que reúne o plantel mais equilibrado, com soluções competentes para todas as posições. Não encontraremos por lá nomes tão mediáticos como noutras paragens (Maxi Moralez é o mais reconhecido), mas o quarteto defensivo, por exemplo, é um dos mais consistentes da prova. Este aparente anonimato retira alguma da pressão ao novo treinador Ronny Deila, que soma títulos nacionais na Noruega e na Escócia. Deila chegou rotulado de técnico marcadamente ofensivo e destemido, e isso foi bastante evidente na eliminatória da Liga dos Campeões contra uma frágil equipa costa-riquenha do San Carlos, ao terminar com um resultado combinado de 6-3. Verdade seja dita, se a ideia de Deila passa por assumir uma postura ofensiva quase absoluta, sujeita a um risco permanente, é bom que as unidades defensivas sejam competentes, pois vão ser solicitadas frequentemente em situações de descompensação. No caso dos nova-iorquinos, esse aspecto parece assegurado.

Tal como os campeões em título, também o Toronto FC alcançou a proeza de marcar presença na final da competição três vezes nos últimos quatro anos. A diferença é que só venceu uma, o que não lhe retira o mérito de, pelo menos, dominar de forma consistente a Conferência Este. Os canadianos chegam a 2020 com uma equipa valorosa, encabeçada pelo espanhol Alejandro Pozuelo, que contará com a companhia do reforço argentino Pablo Piatti (Espanyol). O grande contratempo deste franchising costuma ser a quantidade de lesões por metro quadrado. No entanto, caso consigam garantir o acesso aos Playoffs, e atinjam essa fase decisiva com o plantel a carburar, viram automaticamente candidatos fortíssimos ao título, nas asas da armada norte-americana comandada por Michael Bradley, Jozy Altidore e Omar Gonzalez.

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