Análise

Vela & Rossi e outros influenciadores positivos

António Ribeiro / July 18, 2019

Entre um mercado de transferências agitadíssimo e o rebuliço que pode ser a pré-época, acompanhar tudo o que de importante acontece no universo futebolístico não é tarefa fácil. Por isso, o Soccer em Português preparou um novo concentrado das principais narrativas da Major League Soccer, desta feita com especial enfoque para os protagonistas ofensivos.  Afinal de contas, Carlos Vela, Diego Rossi, Brian Fernández e Raúl Ruidíaz merecem o devido reconhecimento, após tanta proficuidade demonstrada nos relvados.

VELA & ROSSI: A DUPLA ARRASADORA NA EQUIPA DO ANO

Com mais de metade da Fase Regular disputada, o Los Angeles FC continua a edificar o seu estatuto de melhor equipa da prova na presente temporada. Os dez pontos de distância que mantém sobre o Philadelphia Union, perseguidor mais próximo, são bastante reveladores da diferença substancial existente entre o emblema californiano e restantes competidores. Grande parte deste sucesso que poderá muito bem culminar com a conquista do título, deve-se à manifesta química partilhada pelo capitão Carlos Vela, e pela jovem promessa uruguaia, Diego Rossi. Embora actuem nas faixas laterais de um tridente ofensivo, e não como uma dupla atacante clássica, o entrosamento da parelha é claro nas movimentações, e ainda mais expressivo nos números. Em vinte jornadas realizadas, Vela é o melhor marcador e melhor assistente da prova, com 19 remates certeiros e 12 passes para golo, ao passo que Rossi marcou 11 e assistiu outros 5. Curiosamente, o ponta-de-lança mais goleador do LAFC, Adama Diomande, tem apenas meia-dúzia. Os golos estão nas alas.

Este é o segundo ano em que Vela e Rossi partilham balneário e relvado na Califórnia, e se a época inaugural já havia sido claramente positiva, 2019 servirá para bater recordes. O mexicano superou a sua melhor temporada de sempre, ao serviço do Real Sociedad, e assume-se como o candidato mais óbvio a merecer o troféu de Melhor Jogador do Ano da Major League Soccer. A dedicação ao clube de Vela ganhou nova força quando o capitão, no pico da sua carreira, recusou representar o México na Gold Cup. No sentido inverso deveríamos ter Rossi, extremo de 21 anos que já merecia a sua oportunidade na selecção uruguaia. Face ao envelhecimento das principais figuras atacantes da La Celeste, é muito provável que Rossi agarre o lugar ainda a tempo de participar no próximo Campeonato do Mundo.

Contudo, nem só de individualidades se escreve uma eventual história de sucesso futebolístico. Uma breve incursão na estatística colectiva mostra-nos um dos parâmetros mais impressionantes da turma orientada por Bob Bradley: a diferença de golos. Com o melhor ataque da Major League Soccer até agora, fixado nos 53 tentos, e a melhor defesa, onde se registam 17 golos sofridos, a diferença entre os dois é de 36 golos. O segundo melhor emblema da prova neste campo, o New York City FC, 13º posicionado na classificação global, apresenta somente uma diferença positiva de 9 golos. Agora que os números estão apresentados, convém deixar a estatística de lado e ver com os próprios olhos aquilo que a equipa de Bradley consegue fazer em campo, algo extremamente aconselhável a qualquer adepto de futebol.

BRIAN FERNÁNDEZ: O HOMEM DO IMPACTO IMEDIATO

No início de Maio, o Portland Timbers decidiu estabelecer um novo recorde no histórico das transferências do clube, ao pagar perto de 9 milhões de euros por Brian Fernández. Depois da saída do internacional sueco Samuel Armenteros no último defeso, a direcção do Timbers agiu com cautela, e demorou a escolher o novo avançado. Até lá, o jovem norte-americano Jeremy Ebobisse cumpria as obrigações sem especial destaque. Sobre o novo reforço, ao argentino de 24 anos conhecia-se um começo sem brilho na liga do seu país, e uma breve passagem por França, até que começou a despontar mais recentemente no campeonato  chileno, e ao serviço dos mexicanos do Necaxa. Em apenas dois meses de Timbers, assinou seis golos em sete encontros, trazendo de volta os vice-campeões da competição à luta por uma vaga nos Playoffs. Denota uma qualidade técnica contagiante e grande velocidade, pelo que se destaca invariavelmente nas transições ofensivas rápidas da equipa. Pode actuar tanto na ala direita como na posição 9. Letal e agressivo, Fernández é o reforço certo, e uma figura que dá prazer em ver jogar. A não perder de vista.

RAÚL RUIDÍAZ: QUANDO OS GOLOS NÃO GUARDAM SEGREDOS

Outro futebolista que não precisa de muito tempo para evidenciar a sua capacidade goleadora é Raúl Ruidíaz. O ponta-de-lança do Seattle Sounders só não fez o gosto ao pé na sua curta aventura pelo Brasileirão. De resto, deixou marcas nas balizas adversárias dos campeonatos peruano, chileno e mexicano. Perto de completar 29 anos, Ruidíaz chegou à Major League Soccer no último Verão, e com duas metades de época em Seattle, soma 18 golos em 26 partidas. A retirada do lendário Clint Dempsey levou a que o clube procurasse uma nova solução ofensiva, e o peruano encaixou que nem uma luva. Auxiliado pela batuta de Nicolás Lodeiro, e sustentado pelo actual terceiro classificado do campeonato, Ruidíaz tem todas as condições para se tornar uma estrela dos Playoffs. A sua participação só não foi maior devido à presença na Copa América, onde assumiu a função de render o veterano Paolo Guerrero. Entretanto, desde que regressou da selecção, já voltou a colocar o seu nome na lista de marcadores. Deverá continuar a fazê-lo.

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